sexta-feira, 25 de março de 2011

PMs alvejados: O perigo que abriu portas para esperanças de um futuro melhor



É um raciocínio estranho, mas a operação que quase resultou na morte de dois policiais militares no Alto do Mateus, em João Pessoa, abre margem para um futuro melhor nos próximos meses/anos. Tiremos o lado ruim e perigoso da cena. E saibamos usufruir os desdobramentos positivos que daí possam surgir.
O primeiro deles é com relação à imprensa. Não faz muitos dias que jornalistas e policiais travaram uma ‘guerra fria’ por causa da duvidosa PEC 300 da Paraíba e as conseqüências que ela trouxe a todos os setores direta ou indiretamente envolvidos. Mas diante do perigo que corre o policial em sua missão, os profissionais da mídia conheceram mais de perto o que é expor o corpo – e a alma – em defesa da sociedade.
Desde a terça-feira (22), em que o sargento Alcântara e o tenente Antônio foram alvejados por bandidos naquela ação policial, boa parte da imprensa vem fazendo uma cobertura plausível sobre o caso. Ouviu os policiais, expôs dificuldades vividas pelos profissionais [como a falta de um atendimento hospitalar mais ‘especial’, por exemplo] e provocou até a presença de representantes dos Direitos Humanos no leito dos PMs. Um feito, pode-se dizer, inédito.
Ora, se não houvesse esse acompanhamento da imprensa, alguém diria que “a mídia não dá importância aos policiais” (e protestos afins). Já que os jornalistas estão mostrando com maior ênfase à sociedade que enfrentar bandidos não é brincadeira de criança, nada mais justo do que reconhecer o apoio. Uma coisa é dizer que “policiais são baleados em confronto”. Outra bem diferente é mostrar o profissional ferido ao chão, transmitir suas angústias naquele confronto e dar o apoio que o policial pai de família merece. Palmas para a imprensa.
Freud explica
A visita do governador Ricardo Coutinho (PSB) também reflete um peso positivo para a auto-estima dos policiais, no hospital. ‘Oportunismo’ ou não; ‘marketing’ ou não, a presença da maior autoridade do estado na frente de qualquer plebeu, nessas circunstâncias, provoca reações positivas na parte subalterna. É psicologia. É ciência. É fato.
A aeronave
O helicóptero que veio de Pernambuco e deu o importante apoio à operação também foi uma boa iniciativa de quem o solicitou. A aeronave sobrevoou os céus de João Pessoa, chamou a atenção da sociedade, despertou em todos (policiais, imprensa, comunidade, etc.) a necessidade de adquirimos um equipamento do tipo... E deu o apoio moral e operacional à ação no Alto do Mateus.
Em suma
É evidente que ver policiais a um passo da morte é uma sensação terrível para seus pares, que inconscientemente chegam a sentir ‘na pele’ a temperatura da munição disparada pela bandidagem. Mas já que a sabedoria popular afirma “não existir mal que não traga um bem”, observemos os vários ângulos que escondem uma [quase] tragédia.
Comemoremos a felicidade de termos Alcântara e Antônio entre nós. E aproveitemos o que de bom pudemos tirar dessa história, para um futuro breve.